A matéria escura do Universo e as constantes fundamentais
2007-04-11 13:39:39

Por Suely Caldas Schubert

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será  ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” Allan Kardec (A Gênese, cap. I, it. 55.)

Informa o matemático, astrofísico e doutor em cosmologia Stephen Hawking, o mais famoso físico teórico da atualidade, no seu livro O Universo numa casca de noz, que o telescópio espacial Hubble – que opera em órbita a 300 quilômetros da Terra – tem possibilitado sondar mais profundamente o espaço, mostrando bilhões e bilhões de galáxias de variadas formas e tamanhos. Cada galáxia possui incontáveis bilhões de estrelas, muitas com planetas à sua volta (só a Via Láctea tem 100 bilhões de estrelas). Buracos negros misteriosos, cuja força gravitacional devora até a luz, corpos celestes situados a distâncias colossais, nuvens de gases, asteróides flutuando pelo espaço, mas o que vemos, segundo os físicos e cosmologistas, é só uma pequena amostra do cosmo, cerca de 5%. O que é também importante ressaltar são as informações de que a imensidão cósmica é preenchida fundamentalmente pela chamada matéria escura, e, segundo assinala a revista Super interessante (outubro de 2002), esta é “uma espécie de fluido invisível que se esparrama pelo espaço”.

Nesse campo da cosmologia têm sido feitas importantes descobertas e é crescente o interesse das pessoas sobre o tema, tanto que o livro mencionado tem tido notável repercussão, a exemplo de um outro livro de Hawking, Uma breve história do tempo, que permaneceu na lista de best sellers do London Sunday Times por mais de quatro anos.

É importante acompanharmos o avanço da Ciência em todos os ramos do conhecimento, pois a Doutrina Espírita tendo um caráter progressivo está aberta às novas descobertas, desde que estejam plenamente comprovadas. Allan Kardec, com sua notável visão do futuro, ressalta em A Gênese, cap. I, item 55: [A Doutrina Espírita,] “(...) apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, aliase à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus.” (Grifo no original.)

Vejamos, por exemplo, algumas das informações relativas à cosmologia, especificamente sobre a matéria escura, pinçadas do livro O Universo numa casca de noz.

Indícios de matéria escura Diversas observações cosmológicas indicam fortemente que deve haver muito mais matéria em nossa e em outras galáxias do que vemos. A mais convincente dessas observações é o fato de as estrelas nas margens das galáxias espirais, como a nossa própria Via-Láctea, orbitarem rápido demais para serem contidas em suas órbitas apenas pela atração gravitacional de todas as estrelas que observamos.

Sabemos, desde a década de 70, que há uma discrepância entre as velocidades rotacionais das estrelas observadas nas regiões externas das galáxias espirais e as velocidades orbitais que se esperariam, segundo as leis de Newton, da distribuição das estrelas visíveis na galáxia. Essa discrepância indica que deveria haver muito mais matéria nas partes externas das galáxias espirais.

A natureza da matéria escura

Os cosmologistas acreditam atualmente que, enquanto as regiões centrais de galáxias espirais consistem em grande parte em estrelas comuns, suas margens são dominadas por matéria escura que não podemos ver diretamente. Mas um dos problemas fundamentais agora é descobrir a natureza da forma dominante de matéria escura nessas regiões externas das galáxias. Antes da década de 80, geralmente se supunha que essa matéria escura fosse matéria comum, composta de prótons, nêutrons e elétrons, em alguma forma difícil de ser detectada: talvez nuvens de gás como estrelas anãs brancas ou estrelas de nêutrons, ou mesmo buracos negros. Entretanto, estudos recentes sobre
a formação das galáxias levaram os cosmologistas a acreditarem que uma fração significativa da matéria escura deve ter forma diferente da matéria comum. Talvez ela surja das massas de partículas elementares muito leves, como áxions ou neutrinos. 2
...
Quando lemos em livros ou em reportagens de jornais ou revistas atuais a informação de que os cosmologistas não conseguem decifrar o enigma da matéria escura do Universo, de imediato recordamo-nos da questão número 36 de O Livro dos Espíritos, que transcrevemos a seguir:

O Codificador pergunta aos Espíritos Superiores: O vácuo [ou vazio, em outras traduções] absoluto existe em alguma parte no Espaço universal? “Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.” Sabemos que Deus, espírito e matéria constituem a trindade universal, o princípio de tudo o que existe, juntamente com o fluido cósmico universal, conforme esclarece O Livro dos Espíritos. (Q. 27.)

Em A Gênese encontramos explicações mais detalhadas acerca da matéria cósmica primitiva e que a divisa do brasão do Universo é “unidade-variedade”.

É o caso de perguntarmos: essa matéria escura não seria a matéria cósmica universal? Pelas afirmativas do mais famoso astrofísico da atualidade, não há ainda uma explicação plausível sobre o que seria essa matéria escura e várias têm sido as teorias para explicá-la. Regendo tudo isto estão as leis e as forças e é tal a perfeição e a harmonia que imperam em todo o cosmo que não pode haver outra conclusão senão a de que somente poderiam ser resultantes de uma Inteligência Suprema, o Criador de todas as coisas e seres. A não ser assim, o Universo seria resultado de uma série incalculável de “coincidências”, hipótese muito mais absurda e improvável.

Em 1983 houve interessante simpósio promo vido pela Royal Society, no qual foram enfocadas as constantes fundamentais. Isto quer dizer que existem no Uni verso determinados valores fixos que medem a grandeza de certas propriedades fixas da matéria, tais como, a constante gravitacional universal, a massa do elétron em repouso, a massa do próton em repouso, e muitas outras – é o que
nos informa o ilustre cientista e escritor espírita Hernani Guimarães Andrade.

Segundo este, “a existência dessas constantes físicas conduz a impressionantes coincidências em certos fenômenos naturais. Tais coincidências, interpretadas à luz de algumas proposições da chamada Nova Física, sugerem, conforme afirma M. Talbot (1988), que o Universo foi planejado com o objetivo de criar seres capazes de observá-lo e compreendê-lo”.

Mencionamos a seguir três exemplos das coincidências citadas pelo Dr. Hernani:

Primeiro – Sabe-se que a vida de uma estrela resulta do equilíbrio mantido constantemente entre as forças da gravidade e as do eletromagnetismo. As primeiras tendem a levar a estrela a um colapso gravitacional. Estas são contrabalança das pelas forças do eletromagnetismo, que impedem a estrela de entrar em colapso. Esse equilíbrio entre as duas forças é de tal forma preciso, que é inadmissível supor seja uma coincidência.

Segundo – Se no momento da formação do Universo, a força da gravitação houvesse variado de uma grandeza tão pequena como uma parte em 10 dozilhões, este delicadíssimo equilíbrio seria rompido e o Sol e as demais estrelas jamais se teriam formado.

Terceiro – Foi demonstrado que o oxigênio e o carbono são produzidos no interior das estrelas em quantidades rigorosamente iguais. Estes elementos são absolutamente imprescindíveis à vida na Terra. Se um ou outro desses elementos houvesse predominado ligeiramente no Universo, a vida não teria sido possível em nosso planeta e em outros orbes com biosfera semelhante à nossa. (Dados extraídos do livro “Morte: Uma luz no fim do túnel”.)

Tudo no Universo expressa uma Inteligência Suprema, como causa primária de todas as coisas. Entretanto, a Ciência, através de seus ícones mais famosos, como o próprio Stephen Hawking, continua negando essa realidade, para a qual um dia despertarão.

Herculano Pires, no seu excelente livro O Espírito e o Tempo, referindo-se ao materialismo e à negação de certas verdades, afirma:

“Vemos, assim, que as superstições dos selvagens, as suas práticas mágicas, não eram nem podiam ser de natureza abstrata, imaginária. Decorriam, como tudo na vida primitiva, de realidades positivas e de fatos concretos, conhecidos naturalmente dos selvagens, como sempre foram e são conhecidos dos homens civilizados, em todas as épocas e em todas as latitudes da terra. Somente nos momentos de grande refinamento intelectual, quando os homens constroem o seu mundo próprio, de abstrações mentais, e se encastelam nas suas tentativas de explicação racional das coisas, é que essas realidades passam a ser negadas, por uma reduzida elite. O materialismo é, portanto, uma espécie de flor de estufa, artificial, cultivada em compartimentos de vidro, que isolam a mente da realidade complexa da natureza.”

Quando os cientistas que hoje negam a existência de Deus, da imortalidade da alma, das vidas sucessivas, da comunicabilidade dos Espíritos e de todas as questões atinentes à espiritualidade do ser humano descobrirem essa realidade terão dado um passo muito mais importante do que aquele que foi dado no solo lunar. Será um passo para a conquista do “reino dos céus”, que não necessita do telescópio mais potente do mundo e, sim, um olhar para dentro de si mesmos,
de onde descobrirão a lei divina insculpida na própria consciência.

Deixamos com Léon Denis as belas palavras finais:

“Se a Terra evolucionasse com estrondo; se o mecanismo do mundo se regulasse com fracasso, os homens, aterrorizados, curvar-se-iam e creriam. Mas, não! A obra formidável se executa sem esforço. Globos e sóis flutuam no Infinito, tão livres quanto plumas sob a brisa. Avante, sempre avante! O rondar das esferas se efetua guiado por uma potência invisível. (...) Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor. E Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
:
HAWKING, Stephen – nascido em 1942 em
Oxford, Inglaterra – é matemático, astrofísico
e doutor em cosmologia pela Universidade de
Cambridge, onde ocupa a cadeira de Newton
como professor lucasiano de matemática. É
considerado o mais brilhante físico teórico des-
de Albert Einstein.

HAWKING, Stephen – O Universo numa
casca de noz. Trad. Ivo Korytowski – Editora
Mandarim – 2002.

ANDRADE, Hernani G. – Uma luz no fim
do túnel – FE Ed. – São Paulo, 1999.

PIRES, Herculano – O Espírito e o Tempo –
Ed. Pensamento – São Paulo – 1964. I Parte,
cap. I, item 2, p. 20.

DENIS, Léon. O Grande Enigma. 11.ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1999, 1a

DENIS, Léon. O Grande Enigma. 11.ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1999, 1a
Parte, p. 27, 29 e 30.

Pubicada originalmentet no Reformador Setembro 2003

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 Publicado em: 2007-04-11 por admin, última modificação em: 2010-12-31 por admin