O jugo leve
2007-04-05 13:26:18

Por Mauro Falaster

"Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo." (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30)

A palavra jugo - segundo definição do dicionário Aurélio - significa opressão, sujeição, submissão, obediência, autoridade, domínio.

Jesus nos convida para irmos até Ele. E o que isso significa isso? Seria a cura das enfermidades ? A libertação das obsessões? A presença de milagres e facilidades em nossa vida?

Primeiramente, é necessário informar que os judeus, na época do Mestre de Nazaré, estavam sob o jugo ( o domínio) romano. E justamente nessa situação que Ele nos convidou a aceitar o seu jugo. Acrescentou que o mesmo era suave, o que - à primeira vista - parece uma contradição. Principalmente se lembrarmos que as diretrizes religiosas conclamando ao cumprimento dos deveres, ao equilíbrio e à renúncia, sempre foram consideradas austeras, difíceis de serem seguidas. Naquela época, a freqüência ao templo, a oferta de donativos e a postura convencionalmente correta bastariam para caracterizar o bom religioso. Inclusive muitos deslizes - socialmente aceitos - não comprometiam a conduta do crente Ou seja, o homem era quem determinava quais eram e como suprir suas deficiências morais.

Isso deve-se ao fato desse homem antigo não compreender Deus, tendo dificuldade a aceitação de suas Leis. Todavia, atualmente mudou alguma coisa em nosso comportamento? Muito pouco, pois não podemos confundir avanço tecnológico com evolução moral.

O avanço tecnológico permite mais conforto e facilidades. Em tese deveria sobrar mais tempo para nós, como seres espirituais. No entanto, não é o que acontece. Vivenciamos - num mundo da busca do material - algo que aumenta nossos sofrimentos. Mas não entendermos porque sofremos . Além disso, como forma de alívio às nossas aflições, buscamos consolo no consumismo e nas futilidades mundanas. Queremos mascarar os conflitos.

Fugimos de todos os problemas que nos cercam, exceto se houver retorno social. Acabamos por traçar caminhos tão obscuros que em dado momento não nos reconhecemos mais. A vida parece não ter mais sentido. As aflições e angustias transbordam em desespero e dor. Pela dor somos forçados a buscar ajuda. E dela vem o diagnostico: estamos doentes.

A Causa: seguimos cegamente o jugo áspero da ignorância, da indiferença, da falta de amor, na descrença em um Ser Supremo bondoso e justo; e acabamos por transformar nossas vidas em pesado fardo, que de tão pesado, nos imobiliza. É hora de pedir auxílio, e refletirmos sobre nós e sobre Deus.

É o momento de atendermos o pedido de Jesus, que convidou a todos que se encontram em sofrimentos e sobrecarregados, que Ele os aliviara. Mas ir até Ele não significa somente a ida a um templo religioso ou de forma física; mas isto sim, buscar em seu exemplo da coragem e de resignação, o caminho único que nos pode conduzir à felicidade eterna, a que chegaremos desde que lhe sigamos os ensinos.

Pudera, onde encontraremos alívio para nossos sofrimentos e aflições, senão Nele? Bálsamo para as feridas de nossa alma? Onde encontraremos dedicação igual à sua, que não hesitou em ir até ao sacrifício do Gólgota para nos salvar?

Para encontrarmos nosso alívio necessário se faz conhecer as causas que desencadeiam as aflições, que se não forem conseqüências funestas das ações atuais infelizes que as geraram, o foram em vidas anteriores.

As atuais, podemos analisa-las melhor, pois temos recordação delas mais facilmente. Assim, podemos verificar: Quantos homens caem por sua própria culpa; quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição; quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo maus proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos; quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma; quantas divergências de opiniões e dolorosas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos ressentimentos; quantas doenças e enfermidades decorrem dos excessos em bebidas e comidas, e de todos outros excessos do gênero.

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências. Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germes do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.

Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas eventualidades e decepções da vida. Remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.

Pois essas situações são grande oportunidade que nos levam as evita-las se não queremos mais sofrer, e trabalhar no nosso melhoramento moral, tanto quanto intelectualmente. Devemos aprender que a lei humana atinge certas faltas e as pune. O condenado pode até reconhecer o mal que fez.

Mas a lei humana não atinge, nem pode atingir, todas as faltas. Incide especialmente as que trazem prejuízo a sociedade, ficando inúmeras situações impunes. Deus, contudo, quer que todas as Suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto.

A menor infração da sua lei, acarreta forçosas e inevitáveis conseqüências. Mas muitas de nossas aflições não ocorreram nesta vida. O homem nem sempre é punido - ou punido completamente - na sua existência atual;

Mas não escapa às conseqüências de suas faltas. Os sofrimentos que se originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta cometida numa outra vida, e sofremos a rigorosa justiça de causa e efeito, ou seja, sofre o que fez sofrer aos outros.

Se foi duro desumano, poderá ser a seu turno tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em humilhante condição; se foi avaro, egoísta, ou se fez mau uso de suas riquezas, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, entre outros.

Pela pluralidade das existências e pela função da Terra como mundo expiatório se explicam as anomalias que apresenta a distribuição da ventura (sorte, felicidade) e da desventura (infelicidade, desgraça) entre os bons e os maus neste planeta. O que nos mantém nesse planeta é tão somente a nossa inferioridade que ainda conservamos.

O ser humano é o somatório das suas aspirações e necessidades, mas também o resultado de como aplica esses recursos que o podem escravizar ou libertar. Jesus nunca se apresentou como solucionador de problemas. Mas nos convidou a fazer a nossa parte, a nos responsabilizarmos pelos nossos deveres. O Messias torna-se então O educador que sempre se fez compreender, nunca transferindo responsabilidades que a cada qual pertence.

Conhecendo o que nos provoca os sofrimentos e, atento aos conselhos do nosso bom e amoroso Mestre, seguindo seu evangelho, que é o jugo suave, e com a prática do amor e a caridade, que é o fardo leve, encontraremos o descanso para nossas almas.

Nos momentos de dificuldades buscarmos sustentação na oração, que se converte em canal de irrigação da energia que procede de Deus; com esse recurso incomparável, a docilidade no trato com o semelhante permite que as forças espirituais que procedem das regiões superiores, alcancem aquele que ora, produzindo nele o milagre da harmonia e da claridade interior permanentes.

Devemos lembrar dessas palavras: "Ante os desafios mais vigorosos e as situações mais inclementes, não desistir dos ideiais de beleza, não ceder espaço ao mal, não negociar com as sombras, permanecendo-se verdadeiro, luminoso, de consciência reta, decidido - eis a Sua proposta, conforme Ele próprio a viveu. Sendo o Caminho, único, aliás, para chegar-se a deus, não teve outra alternativa senão afirmar: - Vinde a mim, todos que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei."

(Jesus e o Envangelho - à luz da psicologia profunda, pag. 55 - Joanna de Ângelis)

Bibliografia: Elucidações evangélicas, Antônio Luiz Sayão; Jesus e o Evangelho - À luz da psicologia profunda, Divaldo Franco - Joanna de Ângelis - espírito. O Envangelho Segundo o Espiritismo

10.2004

    



 Publicado em: 2007-04-05 por admin, última modificação em: 2007-04-05 por admin