Deus não pune e nem premia
2016-11-06 10:38:37

Rita Foelker

É uma lei da vida social que a gente se junta em grupos por afinidades. Isso expressa uma lei espiritual, que nos aproxima de espíritos como nós, porque é assim que aprendemos sobre nós mesmos (autoconhecimento) e sobre aquela experiência compartilhada. É assim que confirmamos nossa presença naquela sintonia de pensamento e emoção ou, então, somos incentivados à mudança.

Conforme as coisas vão acontecendo e gerando consequências, contudo, tem pessoas – especialmente aquelas ligadas à religião -, que costumam enxergar causas e consequências como prêmios divinos ou castigos por condutas que Deus aprova ou não. A crença por trás disso é de que condutas e consequências têm valores absolutos, são boas ou ruins, de sorte ou infortúnio. É como se Deus fosse uma pessoa tomando conta de suas vidas. Quando algo desagradável ocorre, elas mentalmente associam isso a algo que creem ter feito errado e atribuem a ocorrência ao Criador.

Mas não é assim que acontece. Se Deus nos deu liberdade, não tem cabimento que ele nos castigue por usá-la.

Pense: você só vai à oficina mecânica quando o carro quebra. O mecânico abre o capô e vai descobrindo que, além da peça que provoca o problema, há muitas outras, desgastadas, ressecadas, precisando trocar e faz um orçamento. Você, então, reclama: “Toda vez que eu venho à oficina, acabo gastando um valor absurdo! Que falta de sorte!!” Mas se conhecesse melhor o seu carro, adotaria procedimentos que evitariam a situação que seu próprio comportamento e inconsciência criaram. Não é culpa da sorte ou de Deus. Nem é um castigo. É uma consequência de uma forma de agir sem consciência.

Com o funcionamento das leis do Universo, é a mesma coisa: o hábito de ver punição em eventos desagradáveis e recompensas em situações felizes provém da incompreensão dos mecanismos de evolução dos seres. Se compreendêssemos melhor, saberíamos que nós mesmos criamos ou atraímos aquela consequência, pelo nosso modo de pensar e agir.

De fato, somos aprendizes. Agimos com o discernimento possível em nosso estágio evolutivo e estado de consciência. Podemos nos equivocar na escolha, mas aquilo que acontece devido ao nosso ato não é uma punição. Na dinâmica da existência, entram em cena o conhecimento e a habilidade, a forma como vemos a vida, como decidimos encarar cada acontecimento e também a forma como reagimos a cada situação. Não há algo apenas bom ou ruim. Isso fica bem claro numa lenda sufi sobre o cavalo do fazendeiro chinês, que eu convido você a ler pelo link.

Enfrentar obstáculos e crises, ficar diante de nossas próprias fragilidades, é uma providência natural de um Universo que promove o progresso dos seres. Quando algo o desafia, esse desafio traz uma mensagem e um ensinamento. Como diz Calunga, “vida é subida”.

Publicado originalmente: https://vidasinteligentes.com

 

 

 





 Publicado em: 2016-11-06 por admin, última modificação em: 2016-11-07 por admin