Você não sabe com quem está falando!
2011-10-21 17:14:06

Por Manoel Fernandes Neto

E o fato não tem nada de estranho. Espíritos milenares que somos, trazemos nos arquivos vivências e ocorrências de milhares de vidas na matéria, a partir das formas primárias. Personalidades que se acumulam no corpo astral e influenciam atitudes a partir de novas situações. Conhecer-se a si mesmo, como orientou o filosofo, é muito menos saber dos nossos gostos superficiais desde o nascimento e sim, conhecer mazelas arraigadas e reveladas no silêncio da noite escura de cada um.

Você não sabe com quem esta falando quando se surpreende com ato destemperado de alguém, até então sereno e curativo. Algo poucos tons acima da franqueza natural de quem tem como objetivo mostrar caminhos equivocados. Destempero é falta de equilíbrio, advindo de processos desconhecidos, erva daninha que, ano a ano, secularmente, vão impregnando o nosso jardim íntimo.

Temperança, por sua vez, não quer dizer concordância com tudo e com todos. Mas uma forma de agir em que a gentileza genuína prevalece acima dos próprios humores. Por isso é tão relevador ter a consciência de não saber com quem se está falando. Em relação ao outro, evita decepções angustiantes: o patamar da jornada é individual e único. Em relação ao próprio espírito imortal, habitante incógnito dentro de nossa carcaça, um convite à pesquisa e à investigação.

Existe um lugar comum entre os reencarnacionistas: saber o que fez ou o que foi. Naturalmente, preocupar-se mais com o efeito do que com a causa, essa sim, é premente de ser revelada. Não esconder-se das causas em rituais do cotidiano:  é a receita para perder cinco quilos em uma semana; é o diálogo público de coisas particulares na rede social; ou mesmo a meditação tântrica após um banho de pétalas de rosas vermelhas; ou, ainda, a corrente de felicidade eterna disparada por e-mail para os amigos e desconhecidos, com a singela frase que revela a própria crença: "Gente, não custa nada tentar!"

Custa, sim, e custa caro. De ritual em ritual, enterra-se o que de fato somos, impossibilitando correções e ajustes. O resultado é que nos tornamos reféns de nossos perfis, nem percebendo o quanto relevador é cada compartilhamento de atitudes, mesmo sem participar de orkut, facebook ou twitter. Tive um professor que dizia que tudo que é publicado, falado, exposto compõe a sua história. E, de impublicável em impublicável, nos afastamos de pessoas que podem colaborar conosco, seja com uma palavra, um sorriso, ou mesmo com a franqueza de dizer aquilo que não queremos ouvir. Mais delicado: sepulta-se por um longo período qualquer chance de diálogo íntimo, este sim, o mais importante.

Somos luzes, não se cansa de nos lembrar Heloisa Pires, nas palavras de seu pai, Herculano. Que possamos deixar essa essência prevalecer e revelar esse desconhecido milenar; morador íntimo que revela sua face sem nos surpreender.

Ler outros artigos de Manoel Fernandes Neto

  O Espiritismo e a sua tatuagem

  A pós-verdade e o Espiritismo

  Hipóteses

  Jovens não precisam de conselhos

  Menestrel Cósmico

  Coluna “Espiritismo compartilhado” dialoga com público não-espírita

  O Livro dos Espíritos, 155 anos

  Todos os "mundos" do Google

  Você não sabe com quem está falando!

  Flores para uma visão abrangente

  Preconceito com senso de “humor”

  Nascer de Novo

  Ao mestre, com carinho

  A imortalidade de Lost

  Crônica para um menino

  Crônica: "A foto oficial"

  O passo e o canto

  "Jesus numa moto"

  Feudos de si mesmo

  O elã da imortalidade na convivência espírita

  Aos viajores dos mundos

 





 Publicado em: 2011-10-21 por admin, última modificação em: 2011-11-27 por admin